Pequenos Leitores: formação de leitores e impacto no Educar+

Projeto Pequenos Leitores no Instituto Educar+

No Instituto Educar+, o Projeto Pequenos Leitores tem desempenhado um papel essencial na formação de leitores e no fortalecimento da alfabetização entre crianças da Comunidade do Chapadão, no Rio de Janeiro. Com uma abordagem que une afeto, ludicidade e multiletramentos, o projeto ressignifica a leitura e transforma o cotidiano dos estudantes.

À frente da iniciativa está a professora Jana Dias, formada em Letras e Inglês, que há mais de três anos desenvolve práticas pedagógicas voltadas para a autonomia, a sensibilidade e o pensamento crítico. Conhecedora da realidade do território onde nasceu e cresceu, ela se tornou referência entre as crianças, e inspiração para as famílias.

Leitura como prática social: uma porta para reflexão

Antes de qualquer atividade, Jana explica aos alunos que ler é muito mais do que juntar letras. Ela conta que o primeiro passo é mostrar que a leitura faz parte da vida, e que cada livro carrega uma ponte para novas possibilidades.

“O projeto tem papel fundamental na formação de leitores críticos e curiosos. Trabalhamos a leitura como prática social, ligada às vivências das nossas crianças”, diz a educadora. Segundo ela, ao aproximar os livros do cotidiano, os alunos passam a enxergar valor na leitura e a desenvolver autonomia.

Para isso, utiliza músicas, jogos e rodas de conversa. “Através das atividades, incentivamos os alunos a pensar, opinar e compreender que ler é também entender a si mesmo e o lugar em que vivemos”, explica.

Evolução na alfabetização: da timidez ao brilho nos olhos

Durante as aulas, a educadora observa mudanças que vão muito além da técnica. Crianças que antes tinham vergonha de ler, hoje disputam espaço para mostrar o que aprenderam.

“Vejo crianças que tinham vergonha de ler e agora se sentem seguras e orgulhosas de suas conquistas. Participam mais, se expressam com mais clareza e já leem fora da sala de aula”, revela a educadora.

Ela explica que o letramento acontece de forma natural, conforme percebem o impacto da leitura no dia a dia: “É lindo ver o brilho nos olhos ao descobrirem que podem ler e aprender mais.”

Multiletramentos: uma leitura que dialoga com o mundo

O projeto também se destaca por incorporar múltiplas linguagens.  “As crianças estão num mundo diverso e digital. Trabalhamos com diferentes linguagens porque isso amplia a compreensão e valoriza a cultura de cada uma”, destaca.

Esse cuidado faz com que os alunos sintam que o conhecimento pertence a eles e que a leitura pode acontecer em vários formatos, não apenas no livro impresso.

Redução da defasagem escolar e expansão do repertório cultural

Outro ponto forte do projeto é o apoio individualizado. Jana acompanha cada criança respeitando seu ritmo e sua forma de aprender.

 “Oferecemos um ensino afetuoso, que respeita o tempo de cada criança. Assim, elas ampliam vocabulário, repertório cultural e visão de mundo. Passam a se reconhecer nas histórias e compreender realidades diferentes das suas”, diz.

Essa abordagem emocional e contextualizada faz com que os alunos desenvolvam empatia, senso crítico e maior confiança para enfrentar desafios escolares.

Transformação pessoal da educadora: ensinar como ato de esperança

O impacto do projeto Pequenos Leitores não se limita aos alunos. A educadora também relata como o projeto transformou sua própria visão sobre alfabetização.

“Aprendi que alfabetizar vai muito além de ensinar letras e sílabas. É acolher, escutar e acreditar no potencial de cada criança”, conta.

Ela reforça o valor do vínculo desenvolvido durante as leituras coletivas: “Respeitar o tempo de cada um e criar pontes entre conhecimento e realidade me fortalece como pessoa. O progresso deles renova minha esperança.”

Pertencimento e missão: ensinar onde cresceu

Para Jana, trabalhar no território onde nasceu tem um significado profundo. “Atuar na comunidade onde cresci é uma honra e uma missão. Conheço as dificuldades e o potencial das pessoas daqui. Devolver ao território o que aprendi é plantar sementes de esperança.”

Ela relembra sua trajetória, filha de mãe solteira, criada com seis irmãos, estudante de escola pública e bolsista do ProUni. “A educação transformou minha vida. Hoje, dedico meu trabalho para transformar a vida dos meus alunos.”

O que dizem as crianças: descobertas, imaginação e cuidado com o mundo

As falas dos alunos mostram o impacto cotidiano do projeto.

“Como a leitura te ajuda no dia a dia?” — Apollo

“Me ajuda a aprender, a ler e a saber mais coisas.”

“Qual livro gostou mais?” — Apollo

“O livro do folclore. Li sobre a Cuca, a mula sem cabeça e o Saci Pererê.”
A obra despertou curiosidade sobre criaturas do imaginário brasileiro e ampliou seu repertório cultural.

“O que gosta de fazer no projeto?” — Isis, 6 anos

“Eu gosto de dançar, brincar com massinha e pintar um pouco de desenho.”
A fala reforça como o projeto também incorpora movimentos, artes e ludicidade.

“O que aprendeu?” — Isis, 6 anos

“Aprendi sobre as plantas. Temos que regar elas e colocar no sol. Aprendi a cuidar do planeta.”

A leitura, nesse caso, tornou-se porta para temas como natureza e responsabilidade ambiental.