Literamundo: incentivo à leitura que transforma crianças e jovens da Comunidade do Chapadão

foto projeto literamundo

No Instituto Educar+, o projeto Literamundo vem ampliando o acesso à literatura e fortalecendo o incentivo à leitura entre crianças e adolescentes da Comunidade do Chapadão, no Rio de Janeiro. A iniciativa, conduzida pela professora Evelyn Torres, integra literatura, filosofia, experiências sensíveis e atividades lúdicas, criando um espaço vivo de troca e expressão.

Graduada em Filosofia pela UNIRIO, Evelyn pesquisa a interseção entre filosofia e literatura para crianças em territórios periféricos. Desde 2021, atua no Instituto Educar+, promovendo o hábito da leitura e despertando o senso crítico entre jovens leitores.

O papel do Literamundo na formação de leitores críticos

Para Evelyn, a leitura vai muito além da decodificação de palavras: “Ler é a arte de perceber um mundo, o outro e a si mesmo. Acredito que a experiência literária tem a ver com a vida.”

Essa visão orienta sua prática pedagógica. A educadora seleciona obras infantis que dialogam com a realidade das crianças, valorizando temas que tocam o cotidiano, a imaginação, os vínculos afetivos e os desafios da comunidade.

Ela explica que as atividades propostas funcionam como “combustível para a reflexão, a criatividade, o imaginário e o coletivo”, transformando a sala de aula em um espaço de expressão e pertencimento.

Metodologias que despertam o interesse pela literatura

O Literamundo aposta em estratégias dinâmicas e participativas, como:

  • rodas de leitura
  • escrita coletiva
  • jogos literários
  • contação de histórias
  • atividades imagéticas e sensoriais

Essas práticas, segundo Evelyn, fazem com que os alunos se sintam parte ativa das narrativas e se percebam como produtores de conhecimento.

 “As dinâmicas servem para estimular reflexão e criatividade. As crianças se sentem à vontade para compartilhar vivências, e a sala se torna um espaço vivo, cheio de experiências”, afirma Evelyn.

Impactos na escrita, comunicação e expressão

A educadora observa que, ao longo das aulas, os alunos passam a se expressar com mais confiança, clareza e sensibilidade.
Os participantes desenvolvem:

  • maior vocabulário
  • segurança ao falar em público
  • capacidade de argumentar
  • criatividade ao escrever
  • interesse espontâneo por novos livros

O Literamundo se torna, assim, um espaço que apoia tanto o desenvolvimento escolar quanto o emocional.

A força da leitura coletiva e do vínculo afetivo

Segundo Evelyn, a leitura coletiva cria uma experiência compartilhada que fortalece a relação entre educadores e alunos: “Aprendo muito com eles em cada troca. Eles se sentem à vontade para compartilhar suas vivências.”

Esse vínculo transforma a sala em um ambiente acolhedor, onde todos têm voz. Os jogos literários e as conversas sobre os livros também contribuem para que as crianças desenvolvam escuta, empatia e colaboração.

Ensinar no território onde cresceu: identidade e potência

Para a educadora, atuar na comunidade onde nasceu tem significado profundo:

“É muito significativo para mim. Eu tenho visto, de forma perceptível, o quanto a favela é potência. Acredito que podemos mudar nossa realidade não só através do conhecimento, mas também através da colaboração e do afeto.”

Esse pertencimento fortalece o impacto do projeto, aproximando a literatura das vivências reais das crianças e adolescentes.

Como os livros são escolhidos

A escolha das obras passa pela busca de narrativas que:

  • dialoguem com a realidade dos jovens
  • tragam diversidade de autores e temas
  • estimulem o imaginário
  • apresentem reflexões filosóficas acessíveis
  • valorizem culturas e identidades periféricas

A curadoria sensível contribui para que cada aula seja significativa para o grupo.

O que dizem as crianças sobre o Literamundo

As percepções dos alunos revelam o impacto afetivo e educativo do projeto. “O livro que muda de cor. Ele diz que quando a gente come uma fruta, no outro dia a gente cresce”, revela Lívia, aluna do projeto.

“Aprendi que não podemos magoar os outros e que temos que respeitar o próximo”, completa a aluna. As crianças veem a leitura como diversão, imaginação e aprendizado ético.

Elas também relatam melhorias na escola, mais facilidade de interpretação e maior interesse em escrever. Rodas de leitura, jogos literários e atividades coletivas aparecem entre as favoritas da turma.

Quando perguntadas sobre a professora Evelyn, as respostas são afetuosas: “Ela é legal, explica bem e deixa a gente falar”, disse um dos participantes. E muitos afirmam que agradeceriam por ela “ensinar com paciência e deixar a aula divertida.”

O Literamundo, no Instituto Educar+, mostra como o incentivo à leitura pode transformar realidades, estimular potencialidades e revelar novas perspectivas entre crianças e adolescentes da Comunidade do Chapadão.

Com mediação sensível e olhar comunitário, a professora Evelyn coloca a literatura como ponte entre mundos, o do livro, o da favela e o das descobertas que cada aluno carrega consigo.